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Apresentação
30/01/2010
Comunicação, Educação e Cultura 

 O Coque Vive designa hoje uma rede formada por três atores  que vivenciam uma intervenção social nobairro do Coque, localizado na cidade do Recife. São eles: o Movimento Arrebentando Barreiras Invisíveis (MABI), coletivo de jovens da comunidade; o Núcleo Educacional Irmãos Menores de Francisco de Assis (NEIMFA), associação presente no bairro há mais de 20 anos e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), através de estudantes da graduação, mestrado e doutorado, alunos egressos e professores de vários departamentos envolvidos com o Programa de Extensão Coque Vive.

O Coque, que é o abrigo dessa rede, apresenta uma situação peculiar: é estigmatizado como um dos bairros mais violentos da cidade. Além dos graves problemas de desemprego, educação, saúde, moradia e saneamento, os moradores do Coque sofrem com o preconceito provocado pela atuação histórica de grupos criminosos na comunidade. Para compreender esse estigma e contribuir para superá-lo, esses três atores se unem, propondo ações como pesquisas, ciclos formativos de debate, oficinas, cursos, seminários, circuitos culturais e a produção de conteúdos que alimentem um sonho de cidade justa.

Muitas dessas atividades contam com diversos grupos de intervenção social, dando fluxo a novas articulações. Essa atuação já permitiu a construção da Biblioteca Popular do Coque, um espaço de formação com oficinas e um acervo de três mil títulos. Também foi construída na comunidade o Estúdio Coque Livre de produção audiovisual e musical, que somado a este Portal compõem a Estação Digital de Difusão de Conteúdos: uma plataforma para a produção de textos, fotos, vídeos e blogs desenvolvidos sobre o Coque e a partir do Coque.

Expressando nesses conteúdos o que acreditamos, pesquisamos e propomos, damos naturalmente outra visibilidade ao Coque, que vai muito além da representação violenta e carente, constantemente reiterada na mídia local. Transformar as representações sociais do Coque dentro e fora da comunidade motivou, então, o surgimento do projeto. Mas percebemos que essa atuação é capaz de transformar aos sujeitos envolvidos, a partir das vivências proporcionadas pelo fazer com, pelo estar juntos. As mídias produzidas no âmbito de projeto são chamadas mídias de sinergia, porque envolvem as idéias e o trabalho dos integrantes da rede, tornando o processo tão importante quanto o produto. A transformação das representações do Coque acompanha, assim, transformações identitárias, proporcionadas pelo vínculo entre agentes dessa intervenção social.

 
 O ABC da Mídia Tática
Por David Garcia e Geert Lovink

Mídias Táticas são o que acontece quando mídias baratas tipo 'faça você mesmo', tornadas possíveis pela revolução na eletrônica de consumo e formas expandidas de distribuição (do cabo de acesso público à internet) são utilizadas por grupos e indivíduos que se sentem oprimidos e excluídos da cultura geral.